Pesquisadores estudam a criação do Instituto Carolina Bori

Por João Bosco Jardim.

Professora Doutora Carolina Martuscelli Bori

Pesquisadores de três instituições acadêmicas e de pesquisa do Brasil têm se reunido desde o ano passado com o intuito de estudar a criação de um instituto dedicado a apoiar, realizar e difundir estudos interdisciplinares sobre o comportamento humano.

Com o nome de Instituto Carolina Bori (iCB), em homenagem à professora que detinha o registro de número 1 do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, o instituto deverá ser lançado oficialmente no próximo mês de outubro, em sessão da 42ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP).

Carolina Bori (1924-2004) foi responsável por numerosas contribuições à psicologia nas universidades e em várias entidades científicas, notabilizando-se por sua liderança na pós-graduação e na pesquisa do comportamento humano e animal, em especial pela institucionalização e difusão do estudo experimental do comportamento no Brasil.

Bori foi a primeira mulher a presidir a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entre 1985 e 1989. Em meados da década de 1970 teve importante papel na resistência das sociedades científicas à repressão do então regime militar aos encontros anuais dos cientistas que se agrupavam na entidade. Antes foi presidente da Associação Brasileira de Psicólogos e teve destacada atuação nas iniciativas da classe visando a aprovação da lei que criou os cursos de psicologia e regulamentou a profissão de psicólogo no país, em 1962.

Junto com Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, Carolina Bori contribuiu para a implantação do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais e do Centro Regional de Pesquisas Educacionais de São Paulo. Foi presidente da SBP e da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP). Ao falecer, era diretora científica do Núcleo de Pesquisas sobre o Ensino Superior da Universidade de São Paulo (USP).

“Carolina Bori nos legou um modelo comportamental de conduzir a ciência. Pautada por esse modelo, a criação do iCB visa apoiar e promover estudos, discussões, palestras e publicações interdisciplinares que contribuam para o desenvolvimento e a difusão da pesquisa científica relacionada ao comportamento humano”, diz um boletim distribuído pelos idealizadores do Instituto nos colóquios (encontros informais, interdisciplinares) que traçam as diretrizes para a criação do Instituto. “Por enquanto, trata-se apenas de uma ideia em progresso”, dizem os idealizadores Maria do Carmo Guedes da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Maria Helena Hunziker (USP) e João Bosco Jardim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Minas).

Pensado inicialmente como fundação para a difusão da análise do comportamento, o iCB evolui desde 2010 no sentido de se tornar um instituto com objetivos mais amplos;  recentemente começou a se concretizar nos moldes dos modernos think-tanks, grupos de pesquisadores que realizam estudos interdisciplinares e refletem sobre temas contemporâneos, visando influenciar políticas públicas locais e regionais.

O primeiro colóquio, realizado no fim do ano passado, teve como tema a educação em saúde, e foi conduzido pela pesquisadora da Fiocruz Virgínia Schall. No segundo colóquio, em março deste ano, o tema foi geografia, comportamento e cultura, e ficou a cargo do geógrafo da PUC-SP Douglas Santos. No terceiro, em abril, a professora e física da USP Eda Tassara falou sobre educação científica, realçando a contribuição de Carolina Bori nessa área.

O quarto colóquio, no próximo dia 28, avaliará o status atual do behaviorismo, filosofia de ciência que completa 100 anos em 2013. A cargo do doutorando da USP Diego Zílio, o colóquio será realizado na Sala Aurora no Instituto de Psicologia da USP, às 14h30.

Os idealizadores do iCB, um grupo que já soma vinte pesquisadores, antecipam que o quinto colóquio, em junho, terá como tema o ensino superior, e ficará a cargo do professor da UNICAMP Sérgio Leite. A partir de agosto, o programa incluirá temas sobre saúde pública, pobreza e meio ambiente. Uma vez institucionalizado como think-tank, os idealizadores esperam que o iCB se volte para a realização e difusão de estudos capazes de influenciar políticas públicas que envolvam o comportamento humano.

Outras informações sobre o iCB e os seus colóquios estão sendo divulgadas na internet, pelo twitter.

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