Comemoração dos 10 anos da Memorandum: memória e história em psicologia. Entrevista com Marina Massimi e Miguel Mahfoud

Contem-nos sobre o surgimento da Memorandum: memória e história em psicologia e sobre a avaliação que fazem da recepção da publicação entre os colaboradores e leitores da revista.
Memorandum nasceu de um trabalho de efetiva colaboração entre os grupos de pesquisa dos editores em forte sintonia com grupos nacionais de pesquisa no campo da memória coletiva e da história da psicologia. Nasceu, portanto, não de um ideal abstrato, mas do reconhecimento do valor de uma produção nacional sintonizada com o mundo, buscando, ao mesmo tempo, dar visibilidade e ajudar a consolidar essa contribuição acadêmica. A clareza da importância do tema memória e história para a vida acadêmica mas também para a vida social mais ampla sempre esteve presente, já no nascimento de Memorandum. Desde o início Memorandum também defendeu a necessidade de perspectivas interdisciplinares para o fortalecimento da psicologia.
No lançamento de Memorandum a repercussão foi muito positiva quanto à proposta e também quanto a modalidade de difusão: gratuidade, publicação digital, ampla difusão. O interesse de pesquisadores estrangeiros de renome em publicar em Memorandum também tem se mantido como um fator indicativo da boa recepção da revista.
Os periódicos constituem uma das formas de circulação e consolidação de saberes. A Memorandum foi a primeira publicação dedicada à História da Psicologia no Brasil e, nas últimas décadas, esta área está em franco crescimento entre nós. Vocês tem percebido algum efeito na revista? Ou ainda: Como vocês enxergam a consolidação da área e da Memorandum.

Massimi  e  Mahfoud
Editores da Memorandum
Marina Massimi e Miguel Mahfoud
A consolidação da área é um fato inegável. Pesquisas de especialistas e não somente de interessados são fundamentais para uma contribuição da história da psicologia para todo campo psicológico. Neste sentido, Memorandum, como revista especializada, pode ser um instrumento importante. A contribuição de pesquisadores jovens é sempre maior como autores e como avaliadores dos artigos – sinal de vitalidade acadêmica.
História e memória têm uma função central na compreensão de nossa trajetória como psicólogos. Como vocês avaliam o envolvimento – explícito no primeiro número da Memorandum com a publicação do curso de Joseph Brozek sobre historiografia da psicologia – com a formação de pesquisadores?
Uma cultura que se afirmasse somente enquanto ideias não seria digna de ser chamada de cultura. Cultura ou é cultivo de vida ou não é. O exercício rigoroso de pesquisa ou é formação de pesquisadores e cidadãos do mundo ou é uma contradição em si – independentemente do tema abordado. Neste sentido, a construção coletiva de Memorandum neste 10 anos tem sido uma forte ocasião de cultura.
Quem trabalha ou trabalhou em editoria de periódicos sabe das dificuldades envolvidas. Conte-nos um pouco da experiência de vocês como editores.
As dificuldades do editor no Brasil são muitas. O fato de se ter de assumir todo tipo de trabalho – do mais simples e operacional ao mais diretamente político – é só um indicativo de que sem ideal vivo e operante não se pode manter uma revista como contribuição real. Mas o fato de termos mantido nestes 10 anos uma equipe de editores não é um detalhe: a responsabilidade assumida coletivamente tem mais chance de se manter como ideal real. A responsabilidade de colocar limites é sempre desagradável, mas temos – em geral – recebido uma resposta madura da área.
Como planejam o futuro da Memorandum?
Renovar o ideal de um rigor metodológico associado à vida da cultura. Estimular a comunidade acadêmica a aproveitar mais e melhor dos novos recursos digitais nas publicações. Envolver sempre mais as novas gerações de pesquisadores do campo da memória coletiva e da história da psicologia.

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