Cinquenta anos da morte de Henri Wallon e de Marie Bonaparte

Por Carolina Bandeira de Melo

Henri Wallon em seu aniversário de 80 anos (Paris).

Henri Paul Hyacinthe Wallon nasceu em 15 de junho de 1879, em Paris. Sua trajetória acadêmica passa pelos institutos mais renomados franceses. Foi admitido na Escola Normal Superior e em 1902 formou-se em filosofia. Concluiu o curso de medicina, em 1908, com objetivo de se dirigir à psicologia, a exemplo de seus contemporâneos na França, que para trabalharem com a psicologia obtinham a dupla formação em filosofia e em medicina. Henri Wallon dedicou-se, ao longo de sua carreira, ao estudo da criança, como um caminho para a compreensão do psiquismo humano. Suas contribuições na área da educação são importantes não apenas na França, mas internacionalmente. Ele dedicou-se a diferentes serviços hospitalares e lecionou em diversos institutos de ensino superior franceses, tais como a Sorbonne, onde deu conferências sobre a Psicologia da Criança, e a École Pratique des Hautes Études. Em 1937 foi nomeado professor no Collège de France, onde ocupou a cadeira de Psicologia e Educação da Criança.

Henri Wallon criou um laboratório de Psicologia da Criança em 1922 e uma revista chamada Enfance (infância) em 1948. Para ler artigos de Wallon publicados na Revista Enfance clique aqui.

Número especial da Revista “Enfance”, 1963.

Henri Wallon participou de instituições como a Sociedade de Psicologia, a qual foi presidente em 1927, o Instituto de Psicologia, como membro do conselho diretor, a Sociedade Francesa de Pedagogia e o Grupo Francês da Escola Nova. Sua obra foi consagrada ao estudo da criança, das condições de seu desenvolvimento, das características de sua conduta e de sua evolução. Henri Wallon foi ativista marxista, tendo-se filiado ao partido socialista e o ao Partido Comunista Francês e sua obra esta conectada a suas convicções políticas. Chegou a ser perseguido pela Gestapo na Segunda Guerra. Em 1944, ele foi nomeado Secretário da Educação Nacional e de 1945 a 1946 atuou como presidente da comissão de reforma educacional. Foi neste período que elaborou, junto com Longevin, o Plano Langevin-Wallon. O projeto de reforma do ensino francês, mesmo não tendo sido implementado, tem sido considerado um dos mais completos e originais do século XX. Atualmente, alguns estabelecimentos escolares da França levam o seu nome. Henri Wallon visitou o Brasil em 1935, onde deu conferencias no Rio de Janeiro, em Sao Paulo e na Bahia. Segundo o sociólogo Gilberto Freire, que o recebeu no Rio de Janeiro, passaram “o dia todo correndo escolas e o morro da Mangueira”. Porém, sua obra não recebeu grande atenção pela comunidade científica e educacional brasileira daquela época.

Renoir-Autoretrato (1876)

Wallon possuía em sua casa, uma respeitável coleção, com obras de artistas como Auguste Renoir, Henri Matisse e Paul Signac. Segundo o próprio Wallon

“Há um grande parentesco entre o artista e o cientista. O cientista tem necessidade de mais imaginação do que costuma-se supor. Ele precisa remanejar a realidade para compreendê-la. O artista precisa desarticulá-la para reafirmá-la à sua maneira”.

Para conhecer mais sobre sua obre clique aqui. Henri Wallon faleceu na cidade de Paris, no dia 1 de dezembro de 1962, aos 83 anos de idade.

Marie Bonaparte

Marie Bonaparte nasceu em 2 de julho de 1882, em Saint-Cloud, na França. A partir de seu interesse pela psicanálise iniciou a leitura de textos de Freud, com quem começou a corresponder-se. Tornou-se sua paciente, em 1925, e além de treze anos de análise, tornou-se não apenas a primeira psicanalista francesa, mas ajudou a traduzir e a divulgar a obra de Freud na França, sendo sua representante em Paris. Ela foi co-fundadora da Sociedade Psicanalítica de Paris, criada em 4 de novembro de 1926 e no ano seguinte, fez doações que possibilitaram a criação da Revista Francesa de Psicanálise, onde ela publicou artigos. Grande parte de sua obra volta-se aos mistérios da sexualidade feminina.

Marie Bonaparte foi uma defensora da análise leiga, ou seja, praticada por não médicos. Em 1936 ela comprou a correspondência Freud-Fliess, que foi publicada após da morte de Freud. Para conhecer mais sobre tal correspondência, clique aqui. Sua influência foi fundamental na retirada de Freud e sua família da Áustria, ocupada por nazistas, durante a segunda guerra mundial.

Freud na casa de Marie Bonaparte (Paris, 1938)

Seu sobrenome famoso tem uma explicação: ela era sobrinha neta do Imperador Napoleão Bonaparte I. Segundo ela mesma “Se alguém for escrever a história da minha vida ela deve ter como título ‘A última Bonaparte’, pois sou a última. Meus primos da linha imperial são apenas Napoleões”.

Marie Bonaparte faleceu aos 80 anos de idade no dia 21 de setembro de 1962, em Saint-Tropez, na França.

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